quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Desastre de influências



De repente tudo descarrilou. Como se costuma dizer: um desastre nunca vem só.
Vemo-nos obrigado a tomar decisões quer nos afetarão a longo prazo, somos obrigados a tomar partido, a agir contra uns e a favor de outros. Somos impedidos de votar em branco ou de levar tudo na desportiva e ter um voto nulo. Obrigam-nos a encaixar, a fazer parte de uma das maiorias e a acarretar as consequências das nossas ações. 


Há quem diga que isto é crescer, há quem diga que é conformismo. Eu surpreendentemente não tenho opinião formada sobre o assunto, reconheço que ele existe mas sou sincera ao afirmar que só quando o vivencio percebo aquilo de que os outros falavam; só quando posso realmente dizer que “sei o que isso é” é que me consigo decidir.
Todos somos influenciáveis, é apenas a questão de aparecer a pessoa certa para o fazer. Não temos sempre opiniões formadas sobre tudo, somos muitas vezes levados a optar por uma explicação, a seguir um caminho por deferência a outrem; há exemplos aos milhares. Basta-nos por vezes conseguir acalmar a própria consciência e arranjar uma justificação lógica para a decisão, mesmo que não consigamos explicar o porquê aos outros, no nosso interior estamos calmos e certos de ter feito a decisão acertada (quanto mais não seja pelo historial dessa mesma explicação). Os números, as maiorias são importantes; daí as sondagens que tantas vezes fazemos sub-repticiamente, disfarçadas de dúvidas existenciais. É assim que se constroem amigos: pessoas que se parecem connosco ou pessoas que têm as qualidades que tanto invejamos. Eu invejo pessoas que sabem o que querem e que conseguem justificar as suas opiniões e decisões sem serem demasiado racionais como eu.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Desastre de vontades




Fomos ter os dois ao ponto de encontro marcado há anos atrás. Tu chegaste primeiro, sempre tiveste a consideração de não me fazer esperar. Decidimos tentar mais uma vez reconciliar as nossas tão diferentes opiniões. Chegados ao local marcado, demos o primeiro passo ao desculpar-mo-nos de antemão por qualquer eventualidade ocorrida durante o exercício sentimental.


Sempre esperamos demasiado, houve alturas em que projetámos um no outro os nossos ideais e saímos dececionados. Sempre deixámos isso para trás, sempre nos tentámos esquecer de tudo o que não funcionou, o que foi falhado, mas assim não pudemos aprender com os erros, não acumulamos experiências um do outro, apenas adiámos o inevitável confronto.
Com sentimento é mais caro, tudo sai mais caro no final das contas. Se não nos importássemos seria tudo muito mais simples, chegados a esta encruzilhada esperada, cada um seguiria o seu caminho desejando ao outro a felicidade tão almejada. Mas todo o conhecimento acumulado serviu pelo menos para, apesar de todos os percalços, aumentar o sentimento. A experiência serviu para extrapolar, para fazer analogias e melhorar em relação àqueles outros que não nós mesmos.
Antes deste confronto muitas foram as conversas que tivemos sozinhos, conversas que acabavam sempre da mesma maneira: na expetativa do próximo episódio e com a consciência de que as conversas não mudariam: fomos sempre os mesmos um com o outro. Ninguém nos pode acusar de falta de coerência ou de excesso de preocupação, sempre levamos as coisas na desportiva (é esta pelo menos a visão dos outros). Sempre corremos por diferentes percursos, sabem os outros qual o objetivo que queríamos atingir? Sempre nos carregamos um ao outro até à meta. Fazes-me falta.
Mas ao longo do caminho fomos desvirtuando tudo o que construímos a custo: queimámos pontes, criamos novos atalhos, arranjámos novos caminhos e destinos diferentes que nos afastaram muito mais que as normais circunstâncias da vida. Deixamos de andar lado a lado, os nossos objetivos já raramente se cruzam e se servem um do outro para se concretizarem.
O encontro há muito estava marcado, nunca tivemos dúvidas que este dia chegaria mas não estava preparada para o motivo que o despoletou: a distância não é fácil conciliar. Sem surpresas: nunca fomos especiais o suficiente para que a distância em nós não fizesse a sua habitual mossa.
Deixou de fazer sentido, desgastou, desvirtuou-se, mudou o suficiente para que o desastre ocorresse com o nosso consentimento. Dizes-me que não queres tentar outra vez, que não vale a pena, que no fim das contas mais tempo gasto apenas significaria que a razão sempre esteve do teu lado. A ilusão não vale a pena; anos depois o resultado foi, afinal, o esperado, o então vaticinado por nós mesmos.
Não encontramos ainda um substituto, ainda temos a mesma importância um para o outro, deixámos foi de saber o que fazer com essa importância: já não nos é útil, apenas nos aquece a alma de recordações e de saudade, não nos traz perspetivas de futuro. O nosso currículo não está suficientemente completo: talvez seja esse afinal o nosso problema…
Mas isto não é o fim; durará o tempo todo enquanto gostares de mim. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Amizade I


Quantas pessoas te amaram? Quantas amaste? Quantas desperdiçaste no amor que não tiveste? Porque não basta ser amigo, há que saber sê-lo também – prestar atenção, ter o instinto do que é conveniente e amável.

A amizade é coisa da juventude, quando se tem vitalidade que transborda livremente de nós. E é para a vida inteira. Mas a vida separa-nos e fica uma amizade remissa como um livro que temos na estante e poderemos um dia folhear.

Amizades na idade adulta têm quase sempre outros ingredientes – a politica, a literatura e assim. São as que se rompem mais depressa e dão às vezes ódios até à morte. E chegados a velhos, a amizade é um encosto, uma bengala em feitio de gente. São os amigos dos jardins, talvez dos asilos, talvez apenas de um hábito que nos ficou de não sabemos quando. Aliás, a memória de como as coisas começaram perde-se muitas vezes. Há pessoas com quem cortámos relações e que ainda estão cortadas, mas já não sabemos porque é que o corte aconteceu. A maior amizade é enfim a de duas pessoas que se sentam num café ao lado uma da outra sem já nada dizerem. E, em variante, o caso de um velho casal que se troca uma palavra de dia ou de noite, é para se injuriarem. Seria um erro pensar-se que se não amam. Amam de verdade, que o amor é muito engenhoso nas suas formas de ser. E tanto assim é que, se um dos dois do casal se passa para o outro lado, o que fica faz normalmente logo as malas e passa-se também.

Quantas pessoas te amaram e tu amaste? Pensa. Porque se o souberes, terás talvez sabido por inteiro a tua verdadeira biografia.

Vergílio Ferreira

sábado, 5 de novembro de 2011

Someone that cannot love

You locked your heart
You wake up with tears and stars in your eyes
You gave it all to someone that cannot love you back.
Your days are packed
With wishes and hopes for the love that you've got
You wasted it all to someone that cannot love you back.

Someone that cannot love, love
Ain't this enough?
You push yourself down
You try to take comfort in words, but words
They cannot love
Don't waste them like that
'cause they'll bruise you more.

You secretly made
Castles of sand that you hide in the shame.
But you cannot hold tides that break down
And you build them all over again.

You talk all this words,
You make conversations that cannot be heard.
How long until you notice that
No one is answering back?

Someone that cannot love, love
Ain't this enough?
You push yourself down
You try to take comfort in words, but words
They cannot love
Don't waste them like that
'cause they'll bruise you more

Someone that cannot love

sábado, 8 de outubro de 2011

Perdóname - Pablo Alborán ft Carminho



Si alguna vez preguntas el por que...
no sabré decirte la razón
yo no la sé
por eso y más
perdóname...

Uuuna sola palabra mas
no mas besos al alba
ni una sola caricia habrá
esto se acaba aquí
no hay manera ni forma
de decir que si

Si alguna vez
creíste que por ti
o por tu culpa me marché
no fuiste tu
por eso y más
perdóname..

Si alguna vez te hice sonreír
creistes poco a poco en mí
fui yo lo sé
por eso y más
perdóname..

Siento volverte loca
darte el veneno de mi boca
siento tener que irme así
sin decirte adiós

.. Perdóname..

domingo, 2 de outubro de 2011

Sem saída

Há coisas que nem vale a pena começar porque sabemos que nunca lhes daremos continuação. É triste e infrutífero ter esse nível de consciência, reconhecer os nossos limites, conhecermo-nos a esse ponto. 
É isso que muitas vezes retira o significado de pequenas vitórias, pequenos avanços que fazemos, pois sabemos que chegaremos a um ponto onde não poderemos, não seremos capazes de avançar mais. Há quem diga que o que conta é o caminho que se faz até chegar ao lugar almejado e não apenas chegar lá: a velha questão dos meios justificarem os fins? Mas às vezes perguntamo-nos por que nos esforçamos por viver coisas que nunca darão em nada, o porquê de nos esforçarmos por atingir algo que não terá as consequências desejadas, porquê começar uma estrada se sabemos nunca conseguir caminhar até ao fim? 
Não é pessimismo ou negativismo, é ter consciência do que se é e do pouco que os outros podem influenciar em certos casos em que cabe apenas a nós mesmos decidir se vale a pena continuar ou então terminar antes de chegar à encruzilhada que nos aguarda mais adiante.